Em artigo de opinião, Marcos Abrão discute situação da mulher na política brasileira

16 de março de 2017

Artigo - Marcos Abrão

 

 

Confira, na íntegra, o artigo de opinião do deputado Marcos Abrão, publicado no jornal O Popular, no dia 16 de março:

Este mês de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, é de celebração de conquistas no processo de emancipação feminina, mas, sobretudo, de mobilização e de reflexão. Apesar dos direitos assegurados em lei, o que vivenciamos no dia a dia é um histórico absurdo de violências contra a mulher. O espírito do 8 de março deve permear a luta de cada dia por esse ideário de justiça e igualdade entre homens e mulheres, com as mesmas oportunidades e direitos a uma vida plena e segura.

Direitos e oportunidades de educação, vivência do corpo e da liberdade sem medo, ingresso no mercado de trabalho e ascensão profissional sem qualquer tipo de discriminação, um ambiente familiar livre de agressões e ameaças físicas ou verbais. Essa é a luta que devemos travar nos espaços públicos e privados. E a política precisa ser essa instância de luta democrática cotidiana por uma sociedade mais justa e igualitária. Os espaços institucionais onde essa luta acontece precisam refletir, legitimamente, a representação da sociedade, em todos os quesitos.

Um dos mais importantes é a participação da mulher nos espaços de luta social e de decisão política. Não há como se falar em democracia e em justiça social, sem avançarmos na questão de gênero, sem que a mulher participe como protagonista da vida política do País, que tenha voz de comando, que interfira na formulação das leis e na execução das políticas públicas.

Ao olharmos para o Congresso Nacional Brasileiro, expressão máxima da representação política da nação, o que vemos é que as conquistas têm sido lentas, mesmo com a Constituição Cidadã de 1988, que assegura a igualdade de direitos e oportunidades. De um universo de 594 cadeiras, apenas 68 são ocupadas por mulheres, o que equivale a pouco mais da representação masculina. São 13 senadoras e 55 deputadas, um contraponto ainda tímido para a força do voto feminino, que é de 52,2 % do eleitorado.

Aos partidos políticos cabe o desafio de avançar nas cotas de participação das mulheres nos pleitos eleitorais. Não basta cumprir o que determina a lei. É preciso ter política continuada de inclusão de mulheres na vida partidária, trazer para dentro dos partidos as mulheres que estão nos movimentos sociais, nas associações de bairros, nas entidades de classe. É função dos partidos trabalhar, efetivamente, pela eleição de mulheres, porque a qualificação da política também passa pelo aumento da presença feminina em todas as esferas de poder.