Marcos Abrão critica espetacularização do impeachment em artigo

20 de abril de 2016

O jornal O Popular publicou, nesta quarta-feira (20/4), artigo de opinião do deputado federal Marcos Abrão (PPS-GO), no qual ele critica o que chama de espetacularização do impeachment na Câmara dos Deputados.

Confira, abaixo, a íntegra do texto:

Espetáculo na Câmara

O impeachment de um presidente da República não é um processo de fácil assimilação, especialmente em uma jovem democracia como o Brasil. Por isso, assim como milhões de pessoas que assistiram de suas casas à votação neste domingo, fiquei espantado com a espetacularização, na Câmara dos Deputados, desse doloroso processo para o povo brasileiro. Não que o impedimento de Dilma Rousseff, neste momento, não seja o melhor para o Brasil – tanto que meu voto foi sim, por convicção que houve cometimento de crime de responsabilidade e por entender que precisamos vencer a paralisia e as crises econômica, política e moral. Entretanto, o que a sociedade esperava de nós, parlamentares, eram argumentos coerentes e atitudes sensatas nesses três dias de votação do processo na Casa Legislativa.

Parece-me que o triste espetáculo ao qual assistimos, eu de dentro dos holofotes, dirá muito às futuras gerações sobre os políticos eleitos pelos brasileiros. A ideia que ficará é que os sujeitos ativos não eram os mais preparados para tal, por mais legitimidade que as urnas lhes tenham dado.

Pesquisa do Datafolha, divulgada neste mês, mostrou que 41% dos eleitores reprovam o desempenho do Congresso Nacional, melhor resultado já registrado pelo instituto para os congressistas, assim como eu, eleitos em 2014. Se for considerado o momento de votação do impeachment em uma próxima pesquisa, temo que os brasileiros já não vão nos ver com os mesmos olhos.

Como percebemos no caso de Dilma, votos não dão legitimidade para que o governante ou legislador faça aquilo que lhe apetece. O eleitor não deu seu aval para que Dilma violasse a Lei Orçamentária, fizesse as “pedaladas fiscais”, nem autorizasse edição de decretos de abertura de créditos suplementares, sem autorização legislativa. O eleitor não nos deu o aval para que, neste grave momento, tratássemos do impeachment como se estivéssemos na final da Copa do Mundo ou no carnaval.

Participar ativamente desse momento histórico do País será marcante para minha vida pessoal e política. Porém, como deputado federal de primeiro mandato, o sentimento é de perdemos um precioso tempo do debate de ideias e da propositura de leis que melhorem a vida dos cidadãos, para nos dedicarmos exclusivamente ao impeachment. Por isso, agora, poderemos retomar as atividades legislativas diárias, nas comissões e nas votações em plenário. A visita aos municípios, que nos permite ver de perto e entender as realidades locais, também poderão voltar com mais força. Minha esperança é de que agora, com a página do impeachment virada na Câmara, o debate volte a ser sobre o futuro que queremos ao País.