Marcos Abrão propõe intérpretes de libras em hospitais

13 de novembro de 2018

Em artigo no O Popular o parlamentar defendeu a contratação dos profissionais para assegurar um atendimento mais humanizado às pessoas com deficiência auditiva. Confira a integra do texto publicado na edição desta terça-feira (13/11): 

 

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é o sistema linguístico que combina gestos, expressões e movimentos para a comunicação de surdos no país. É a principal forma de interação utilizada por pessoas com deficiência auditiva para expressar e estruturar seus pensamentos, ideias e emoções, para ter acesso ao conhecimento e à cultura e para fazer-se entender em nossa sociedade.

A Libras foi oficialmente reconhecida no ano de 2002 e a partir daí tornou-se obrigação do poder público apoiar e difundir seu uso como meio de comunicação e inclusão social. No entanto, mais de 15 anos depois, pessoas com surdez ainda encontram dificuldades no acesso a serviços básicos de saúde e no atendimento hospitalar, direito basilar de todo brasileiro.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) o Brasil tem 28 milhões de pessoas com deficiência auditiva, um total de 14% da população brasileira. Barreiras na comunicação entre essas pessoas e as instituições de saúde prejudicam a vida e o bem-estar de quem depende da Língua Brasileira de Sinais para se comunicar.

Pensando nisso, apresentei o projeto de lei de número 3.324 que torna obrigatória a presença de intérpretes de libras em hospitais de grande porte. O apoio do intérprete vai garantir que consultas, internações, procedimentos e atendimentos de urgência e emergência sejam realizados de forma precisa.

As dificuldades de comunicação com o deficiente auditivo prejudicam a assistência prestada, a confiabilidade do diagnóstico, a compreensão do tratamento, bem como a aferição de resultados e o vínculo do médico com o paciente. O atendimento muitas vezes gera desconforto, afastando a pessoa com surdez do sistema de saúde.

Nossa proposta, em tramitação na Câmara dos Deputados, visa assegurar o “acesso universal e igualitário às ações e serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde”, um dos pilares da instituição do SUS, além de efetivar princípios já contidos no Estatuto da Pessoa com Deficiência. A pessoa com surdez precisa ser acolhida de forma adequada, reduzindo o quadro de marginalização desses pacientes e garantindo um atendimento eficaz e humanizado.