SUS deve garantir tratamento a viciados em tecnologias

17 de fevereiro de 2016

Marcos Abrão sugere que o Sistema Único de Saúde estabeleça protocolo clínico específico para tratamento da doença

Se você acorda no meio da noite para buscar um copo de água e, antes de voltar para a cama, consulta as redes sociais, ou adia qualquer atividade para ficar usando a internet, você pode estar viciado em tecnologia. Ações como essas, cada vez mais comuns na atualidade, podem indicar dependência, já que representam compulsão em estar conectado o tempo todo.

O uso da tecnologia é compreensível tendo em vista que reflete os avanços científicos por quais passamos diariamente. O que não é saudável é que os smartphones substituam as relações familiares e interpessoais, por exemplo, ou que, devido a eles, deixemos de lado atividades cotidianas no trabalho ou escola e faculdade para verificar quantas “curtidas” teve a última postagem. Quando a internet se torna mais do que um hábito é o momento de se buscar ajuda psicológica e psiquiátrica. O vício em tecnologia já está sendo tratado como um problema de saúde em algumas partes do mundo, como na Ásia e nos Estados Unidos.

No Brasil, por outro lado, o assunto ainda é pouco discutido. O psicólogo e professor Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Programa Integrado dos Transtornos do Impulso, ligado ao Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), acredita que cerca de 10% dos usuários apresentam dependência tecnológica (que inclui internet e jogos). O vício por jogos eletrônicos já consta, desde 2013, do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria. No entanto, a adição por redes sociais, como “Facebook” e “Whatsapp” ainda não foi catalogada, já que é um fenômeno muito novo. Conforme a psicóloga Veruska Santos, do grupo Delete, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a dependência tecnológica é acompanhada, em geral, por depressão, ansiedade e pânico.

Considerando que o artigo 196 da Constituição Federal de 1988 afirma que a saúde é um direito universal dos brasileiros, o deputado federal Marcos Abrão (PPS-GO) sugere que o Sistema Único de Saúde (SUS) estabeleça um protocolo específico para o tratamento dos vícios em tecnologia. A ideia é que a lei determine os critérios de diagnóstico da doença, o seu algoritmo de tratamento com as respectivas doses adequadas e os mecanismos para o monitoramento clínico em relação à efetividade do tratamento e a supervisão de possíveis efeitos adversos.

“O Estado deva fornecer todos os recursos que estiverem a seu alcance para a recuperação do paciente. Com a aprovação deste projeto, o cidadão passará a contar com um importante instrumento de defesa contra eventuais omissões do Poder Público”, argumenta Marcos Abrão.